Menininha – Sexual Assault Awareness!

Tudo começou quando por lei natural o meu corpo começou mudar, tornei-me mais alta, perdi um bocado de peso, o meu peito aumentou e as minhas ancas também.

De princípio me sentia confiante, de que finalmente me estava a tornar uma mulher, os comentários das minhas tias, da minha mãe, punham-me positiva, “estás a tornar-te uma de nós, já não és uma menininha” diziam elas com sorrisos nos rostos pelo meu crescimento, até que os olhares pela rua e as palavras começaram a magoar-me.

No início não dei muita importância, deixava passar e ignorava, era o senhor da padaria com um ” Ai menina com esse corpo atrapalhas a todos, nem parece que te vi crescer” e um “Hey gostosa” ao descer pela minha rua que ouvia dos rapazes que ficavam encostados a uma esquina a fumar maços de tabaco.

E depois foi piorando, o senhor da padaria pegava pela minha mão ao receber o troco do pão com um olhar intenso que me deixava assustada, eu afastava-me dali o mais rápido que pudesse com a cabeça inclinada ao chão, da outra vez foi pior, quando fui empurrada a um beco entre edifícios logo a seguir à minha casa com um estranho a tentar apalpar-me o corpo, passou a mão pelo meu peito e deixou-me aterrorizada, o meu sangue fervia, sentia o meu ar a acabar como se alguém estivesse à asfixiar-me e o pior nisso tudo é que apesar de estar a crescer como diziam eles todos, ainda sentia-me fraca.

Pequenas frases, pequenos toques infernizaram-me a vida, sentia-me invadida em um corpo que nem eu ainda não acabara de conhecer, era tudo novo para eles e novo para mim.

Tentei afastar-me da atenção tapando o meu corpo com mais pedaços de roupa, camisetas largas, calças de ganga, cachecóis e já era tarde demais, a atenção já tinha sido chamada por mim mesmo sem querer para os que não tiravam os olhos de mim. Sabia que crescer era algo bom mas não sabia que neste percurso perderia a minha autonomia, pensei eu, e decidi falar com uma rapariga da minha escola cujo demostrava muita auto-estima e confiança e parecia que os rapazes e homens lhe tratavam com mais carinho. Contei tudo que estivera a acontecer, e tudo que recebi dela foi “Estás a exagerar, não te querem fazer mal nenhum, aproveita, e desfruta, nenhum mal te vai acontecer”.

Fiquei indignada pois não queria nada disso, não me sentia preparada, não me conhecia ainda, não sabia nada do que estivesse ela a falar. Certo de que não sou ingénua e sabia as intenções de todos eles mas nada disso fazia-me sentir confortável.

Tentei seguir a minha vida normalmente, evitando as mesmas rotas, fugindo de cada um que transbordava o seu desejo em mim, mas não tinha por onde fugir, estavam em todo lado. No autocarro a caminho dos treinos de tennis, um homem aproximou-se até mim, encostou-se as minhas costas e disse-me pelo ouvido “ainda pego-te de jeito miúda”. Senti um nojo a subir-me pela garganta, fiquei tão assustada, que pedi que o motorista parasse o carro e preferi seguir à pé. Ia tão rápido mas tão rápido, e tudo que fazia era limpar as minhas lagrimas pela camisola que usava, a olhar para um corpo que não estava preparada para ter, não assim. E foi ai que senti, senti um apertar no meu braço à puxar-me para um beco com tanta força que nem tive tempo de reconhecer quem era, estava tão assustada e as lágrimas escorriam-me pelo rosto todo e tudo que queria era o colo da minha mãe e voltar a ser a menininha que era.

O homem encostou-me a uma parede no beco escuro, tapou-me a boca, e pediu-me para que me calasse se não batia-me, e eu gritei, gritei tanto que por consequência levei uma bofetada que levou-me ao chão. Ao tentar arrastar-me para longe dele, puxou-me pelas pernas arrastando a minha cabeça naquele chão sujo e cheio de pedras, abriu as suas calças, baixou-as e voltou a avisar-me que não voltasse a gritar, senti o meu ar a sair por completo de novo e suspirei como se fosse a última vez, abaixou-se até a mim prendeu os meus braços, mutilou a minha alma a cada atitude que tomava sem permissão pelo meu corpo. Lembro de não ter gritado, de não ter feito força, pois força não tinha mais, simplesmente olhava para o céu que estava limpo naquele final do dia, concentrei-me nele até que ele terminasse e foi-se embora.

Mantive-me no chão cheia de sangue e arranhões pelas pernas, imaginava que a minha cara estivesse inchada de tanto que chorei mesmo sem voz e levantei-me. Não sei se andei ou se arrastei-me até a casa aquele dia, lembro de ter chegado a casa, abrir a porta, de olhar para o rosto da minha mãe e ter-me posto de joelhos perante ela, e ter pedido desculpas e que queria voltar, queria voltar a ser pequena, queria voltar a sorrir e brincar com água e com a bola pelo quintal, porque invadiram-me sem permissão, invadiram um pedaço de mim novo que nem se quer conhecia ainda e morreu ali naquele beco. Invadiram-me e deixaram-me coberta de sangue e trauma por me estar a tornar uma mulher, e que eles estavam por todo lado, já nem era uma questão de ser ou não, era uma questão de respeito à quem tivesse, sorte, e eu não tive. Fui violada pela mudança física que estava a ter e que não tive escolha de nada.

Chamo-me Sofia, tenho 14 anos e fui estuprada não só o corpo como também à mente.

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Lonely

I am a lonely person!I am those type of girls who actually has good boys and bad boys wanting me and still sees like no one wants me, because in a matter of fact no one actually wants the real me! 

They want what they see superficially, what I show to the world, what I keep showing them to see. 

I am a lonely girl because even if I’m dating some guy really good with the potential to make me happy and change my life for good I’ll keep asking him if he’s sure that he is not making a wrong decision on being with me! I am lonely because in a matter of fact deep down I know that nobody will want to deal with a bag of problems and mental illnesses that I carry with in! I assume my problems and I see them as my reality because I can’t even deal with me myself but I don’t have a choice, I simply can’t take me out of me, so I just stick with it! I am so lonely that I can’t even comfort myself when I’m sad! I get sad on how my life is miserable that I simply give up and say fuck it girl, you are too much and then I shut down myself. 

I got family, friends and fake friends like everyone else to make me company when I can’t anymore, and still in the middle of this huge crowd of good people there’s a cloud and a voice that comes to me and say it with so much petty: “damn, you are so lonely.”

But I don’t want to be this way you know? It’s not even a choice, I’d love to be one of those girls that can call to anyone important when I’m having anxiety crisis just to say: “I need you!” But I can’t. I can’t because I’m also very sarcastic and real with my feet down to realize that nobody got time for that, everybody is busy doing their lives being perfect or weird, being fake and whatever other things they do! I’m too real to also assume that on the century that we are living there’s a lot of not carrying about other people but still there are people that can at least pretend that they do care, but they don’t. And the superficiality in the world that we live makes me sick, probably the reason I am lonely all the time, I don’t know! 

But I’m a lonely type of person that cares, that values what doesn’t exist anymore and keeps pretending that maybe one day I’ll find out that there are people out there like me and maybe we could share, talk about our miserable lives and be lonely together, and then happy! 

A carta 

Senhor porteiro
Quero lhe informar que destes anos todos que partilhamos momentos de confidencialidade, no qual sabias tu quem subia ou deixava de subir até ao meu apartamento, te sou grata, mas tenho um pedido a fazer, que nunca me deixes permitir que suba mais alguém a minha casa!

Para quem estiver a ler isto contigo pode até soar meio absurdo ou me aplique um adjectivo feio porque à ideia se calhar que venha em mente é que foram muitos, mas eu e tu soubemos que não.

Escrevo-te isto porque és mais velho que eu, deves ter mais experiência de vida e a tua cara me é familiar, me lembra a do meu pai!

Foram três desde que me mudei para aqui se é que ainda te recordas, e dos três partiram-me o coração, cada um do seu jeito mas partiram. O último no qual permiti que deixasses subir foi fatal, não sei se te lembras, mas sumi bastante, mal saía de casa, até passei o último natal e o final de ano trancada de trauma. Confesso isto para ti porque mais ninguém soube bastante da minha vida do que tu, por isso vim pedir-te isto! 

Não permitas mais ninguém até a minha porta, pois quem entra em minha casa entrou em minha vida. Sou discreta, mulher menina de poucas companhias, além de ti tenho o meu gato, que por sorte dele não fala mas por vezes tem que me ouvir, ouvir chorar, gritar até mesmo desabafar.

Falava do último, ele parecia gente boa, até mesmo o senhor elogiou, disse que desta vez ficaria, que era para me assegurar que esse não me iria abandonar. Mas abandonou, e não quero lamentar me bastante, só queria lhe por assente do que se está a passar e porque que lhe peço isto.

Como gratidão por tudo que fez por mim mesmo sem querer, vendi alguns quadros meus que me renderam bastante e junto a carta acredito que vê o valor, é para a sua filha e a sua mulher, para que lhes dê um natal melhor este ano e que não te falte nada. Sou simples, sem nenhuma intenção por detrás disto, quis simplesmente desabafar e pedir lhe isso. 

Obrigada pelos dias em que me apanhou encharcada na chuva sem onde ir mesmo tendo um tecto, obrigada por ter se lembrado de sorrir para mim, quando mais ninguém sorria por perto.

Por vezes as pessoas nas quais damos menos importância são as que mais nos salvam de certos momentos e desses pequenos gestos sou grata, não tenho mais nada a dizer-lhe, espero que faça bom uso da minha gratidão e quando estiver a acabar de ler isto, estarei eu a caminho de um lugar distante, e quando voltar poderemos conversar melhor. 

O último cigarro 

Acendi um enquanto esperava o táxi chegar, as ruas estavam geladas aquela madrugada, só sobrava eu, a lua, e os cães sem dono a zanzar.

Depois de três copos de whiskey que havia tomado, não queria mais nada além do teu conforto. Imaginava eu se estavas ainda em casa ou se saíste irritado como eu depois da discussão que tivemos mais cedo. Eu sou a quente da relação, não consigo controlar ainda o mau temperamento que me assola sempre.

Mas tu és a minha gasolina, és o motivo da minha adrenalina, o motivo da minha raiva e o qual sempre me faz voltar aos teus braços. 

Queria me desculpar de uma forma diferente aquela noite, queria poder te fazer sentir que a ti pertenço, quero usar mais que palavras para mostrar que o tempo que levamos até aqui não foi em vão. 

E lá estavas tu, deitado na nossa cama adormecido com o celular no teu colo, descamisado e descoberto. Tirei o meu casaco, os sapatos e fui tomar um banho quente e rápido. Acordaste com o barulho da água e vieste ter. Estava eu debaixo do chuveiro com apenas luzes de velas que é do meu costume e com a cortina aberta. 

Tiraste a roupa que sobrava em ti, e entraste junto a mim na banheira. 

Pegaste no meu rosto molhado, deste-me um beijo profundo e abraçaste-me! Senti nele que a vontade do perdão era mútua, e voltei a beijar-te, beijei-te tanto que os nossos corpos entraram em combustão, era um dom que sempre tivemos, por mais chateados que estivéssemos os nossos toques sempre entendiam-se. 

Passaste a mão entre as minhas pernas para confirmares o que já sabias tu, estava faminta de ti e com uma dose de álcool no corpo para melhorar, e desceste! Ajoelhaste-te a mim, afastaste as minhas pernas e com a tua boca penetraste-me por completo.

A água escorria pelos nossos corpos e eles em combustão faziam-me perder o controle. Te asseguraste com os movimentos circulares na minha delicada menina, e em sintonia ia eu e a minha respiração. Gemi, gemi muito, até não me aguentar mais, perdeste-te em minutos longos lá e quando sentiste pelo meu calor que já me estava a vir, te puseste de pé, e lentamente introduziste o que é meu por direito! Senti pelas paredes do profundo o seu penetrar e afastei me para parede do fundo da banheira, já queria mais e tu mais que ninguém já sabias o que fazer. 

Viraste-me de costas, inclinaste-me obliquamente e voltaste a pó-lo todo e bem rápido. Perdemos uma meia hora em movimentos de entra e sai apesar de não me aguentar mais e das vezes incontáveis que atingi o orgasmo e me mantive de pé por ti, e senti! Senti quando entraste mais fundo, quando o teu peito encostou-se nas minhas costas, e com o realce apertaste os meus seios e disseste no meu ouvido: “És minha ouviste?” 

Nesse momento me dei conta que não dissera uma palavra sequer desde que tinha voltado para ti, e tu soubeste entre a nossa linguagem corporal que a mais ninguém pertencia além de ti.

E saímos, te deitaste novamente na nossa cama enquanto eu fui totalmente nua a nossa varanda acender o meu último cigarro a contemplar da doce e perigosa vida que escolhera ao teu lado!

I got scared 

I got scared! Yet I know deep inside that it might be different, but I got scared anyway!

I swallowed my pride and fears but it wasn’t enough! My hands started sweating, my heart started racing because I knew what was about to come. The way you held me was pure and mysterious that my hips started shaking like I was freezing to death, and then my heart got warm when you kissed me, so I got even more scared!

Because I could get used to that good heat and I could lose it with a blink, so I turned off my paranoid side for a second and enjoyed the moment and It felt like paradise! Who are you? I asked! Where were you? You were just here fixing your place in me for so long, that’s why I got scared, because you were patient and slow, you didn’t have me with hellos! No, you had me with the character you acted, with the sincere words and actions! Aren’t you scared? That one day I could simply run away afraid of what’s growing inside, with no goodbyes? You should be scared, but not of that, because I can assure you that even though I am afraid of using that “I love you” with you, I would never take my hands away from yours, because I’m already yours. – Jules 

Death part 2

Já se passam anos desde que tentei abrir-me com a primeira carta que fiz, nela tive um fim doloroso, achava a minha vida corrompida desde o útero da minha mãe, para quem leu sabe do que digo. Anos depois nada tende a melhorar, tornei-me forte sim admito, levei uns tombos bem grandes para minha colecção dos quais pensei que não fosse levantar, superei a crise familiar mas dela sobraram espinhos que não consigo ainda arrancar, e neles está a minha imperfeita personalidade. Olho para o espelho, olho para o mundo, olho para o rosto da minha mãe e continuo vendo desgosto, continuo vendo a todos aqueles que de uma certa forma cimentaram em mim estes espinhos a espera de que eu melhore, que eu supere, que eu me torne alguém melhor pois na vida se tem dito que aprendemos com a dor e nos tornamos melhores, que com as coisas más procuremos sempre nos tornar o oposto. 

E por fim olho denovo para o espelho e continuo com as incertezas, com as perguntas do que há realmente de errado em mim e por fim continuo sem entender, mas continuo, continuo andando pela frente continuo a procura de um refúgio para a minha alma cansada em um corpo tão forte, mas também sabe se que quanto mais batemos em algo acabamos por quebrar, e sinto que quebrei-me. Não quero dramatizar com aquele simples e vulgar assunto de que “Não sou igual a ninguém”, realmente não só, e ninguém é, tenho o destino meu em minhas mãos e sinto-o como uma bola de sabão. Sinto o cansaço no rosto da minha mãe que por vezes até sinto o peso e cansaço que leva ela pelas costas. Ser mãe, deve ser maravilhoso, porém não facil, e quando olho para minha, queria eu que ela pudesse ter uma outra versão de mim, uma outra filha. 

O meu mundo de ilusões como protecção do que passei? Deixei-o atrás, deixei-o com a primeira carta que escrevi, pois senti que o peso cá na realidade era grande demais, e com a idade tinha que encara-lo, e tenho encarado, com dificuldades mas tenho. A dor é imensa ainda, e vai se aumentando, mas tento não pensar bastante nas antigas para dar lugar as novas mágoas da vida. 

Deve ser drámatico ler isto, acredito que devem olhar para mim e pensar “Coitada de ti”, mas essa pena toda hoje para mim tornou-se alheia, pois perdi a pena que sentia de mim própria, perdi a vontade de terminar com isto tudo, sinto-me estagnada, um meio termo na casa dos vinte. Não pretendo morrer, pois nunca pedi para viver, mas já que cá estou e passei por isto tudo que seja. 

Na minha primeira carta, devia ter eu uns treze ou catorze anos se não me engano, e o fogo era enorme já, a raiva era imensa que perdia o controle de tudo, perdi vários controles de várias situações que me encontrei, e acredito que isso faz de mim humana, porém uma humana errada. 

Aos olhos da minha mãe pelo que ouvi dela, eu era um sonho, um cristal, a menina que tinha de tudo para se tornar princesa, a menina amada pelos ambos pais apesar das ilusões e complicações que expliquei na carta passada eu reconheço que tive amor. Um amor verdadeiro, pelo menos da parte dela, mas como pode um cristal se tornar tão sômbrio? Deixem-me explicar como. O cristal partiu-se faz tempo e de tantos pedaços tentados a sua recuperação, tornaram-se cada vez mais pequenos e sem concerto, e para isso só restou aceitar a realidade da escuridão cá dentro e simplesmente seguir. 

Não nego também que tive momentos de luz, da última carta até esta, momentos tão radiantes que o sol se inferiorizaria ao lado deles, mas foram curtos e rápidos como o respirar da noite. E neles aprendi e guardei-os no que sobrou de mim. 

E o que sou hoje? Sou isso, pedaços de luz e de escuridão, com medo que me apague para sempre mas sem medo do vázio que isso trará.

Minha maior dor continua e sempre será a dor da minha mãe que pela falta de sincronização dos nossos corações nos magoamos cada vez mais, e mais eu a ela, mas confesso também que nunca é intencional, pois sinto a sua mão em mim nos meus piores momentos, só que para quem aprendeu a ver costas quando precisou de mãos acaba sendo por vezes uma equação. 

Equação sem pé nem cabeça no seu desenvolver mas que se sabe o resultado. Como chegar até ai? Não sei o caminho. Como deixar que me levem até lá? Prefiro andar sozinha. Pois apesar de que realmente nunca estive sozinha, é assim como me foi feita a alma em pedaços de escuridão e traumas. 

Quem conhece alguma parte de mim conhece o meu coração e sabe que cheio de bondade ele é, mas corrompido também ficou, e com isso peço perdão, perdão a mim neste momento a olhar para o espelho, perdão a minha mãe por eu não demostrar lhe desepenho nem dar-lhe orgulho, perdão ao mundo por ser assim uma caixa sem aberturas ou aberturas a mais, e ao futuro que não consigo ver-me nele por não saber se somos espinhos num mundo de balões ou balões num mundo de espinhos. 

J. 

Um conto de uma nova rotina. (+18) 

Cheguei a casa agora, e não consigo destinguir quem de mim está mais cansada, se é o meu fisico ou a minha alma. 

Deixei os livros na mesa, tirei os sapatos e levando o meu isqueiro direccionei-me a varanda, ahh o quanto eu adoro a minha varanda. Meu canto de sossego, meu secreto nada secreto santuário, sempre com o seu chãozinho gelado. 

Pus-me sentada no sofá do canto, e vejo o meu vizinho a olhar para mim novamente, tem feito isso já a algum tempo nesta mesma hora, por vezes dá-me impressão de que tenho a minha vida cronometráda em seu pequeno livro do qual não sai da sua mão desde que para cá me mudei. Mas hoje parece-me estar mais tranquilo, sereno, normalmente as suas idas a varanda têm sido muito movimentadas, andando de um lado para outro lendo e lendo e na sua leitura eu sou o seu ponto de pausa no qual ele me olha nos olhos e sempre sorri. 

Hoje nem se quer está a ler, o seu livro está fechado, e ele está mesmo a olhar para mim. Atrapalhei-me quando me dei conta disso que pus-me logo a acender o meu cigarro e fechei os olhos no primeiro puxe, e quando abro os olhos já não estava mais ali ele. A sua casa é bem ao lado da minha que com o esticar da minha mão pela varanda consigo tocar a cerca da sua. Preocupou-me por ter saido dali em tão pouco tempo, normalmente as nossas rotinas não têm sido assim, e logo a seguir oiço alguém a bater pela minha porta. Não vou negar, congelei-me toda pois era muita coinscidência, levantei do sofá, fui a correr a porta e abri. Era ele, estava ali a minha frente, um estranho conhecido meu já a 4 meses de vizinhança, e hoje decidiu abrir a sua boca a mim. 

” Olá, posso entrar?” – Perguntou ele, e sem que me desse espaço de resposta entrou pela minha sala, e pegou no meu maço de cigarros tirando um para si. 

Fechei a porta, e delicadamente perguntei o que queria ele ali, e ele simplesmente sorriu e em seguida disse: – Ian, é o meu nome, e vim fazer-te companhia no teu sofá hoje, acho ele bastante grande para estares só nele. E logo em mim pensei, que atrevido me vem a ser este homem a esta hora. 

Ele direccionou-se a varanda, tirando o seu blusão do corpo lentamente e sentou-se no meu sofá, deixando ele de lado. Eu fiquei assustada mas ao mesmo tempo tentada, não vou negar também que aqueles braços musculados ao ponto médio e aquele sorriso perfeito não me tenham atraido. 

Sentei-me ao seu lado, curiosa em saber como seria o desfecho desse atrevimento repentino. As minhas mãos suavam e logo apercebi-me que a sua presença e a pequena distância que nos mântia separados naquele sofá diminuia a cada olhar profundo que depositava ele nos meus olhos. 

– Então, Ian…! Disse eu a tentar puxar qualquer que fosse a conversa porque o silêncio deixara me nervosa. Ele pegou a minha mão e pediu-me que não ficasse nervosa, que a sua atitude não passava de uma simples vontade na qual sentiu ele que é mútuo. Passou a sua mão no meu rosto fazendo com que os meus músculos faciais relaxassem por completo como se estivessem a espera de um toque já a um tempo, e com o meu relaxar fechei os meus olhos dando-lhe espaço para roubar-me um beijo. 

O beijo que foi como um portal, libertei-me por completo correspondendo a cada movimento que ele fazia, desde que o começou não paramos, nem conseguia acreditar que estivera a fazer isso com um estranho. O meu sofá gelado e aconchegante começou a aquecer, ou seria eu que fervia por dentro e não me estava aperceber, as suas mãos subiam pelo meu vestido através as minhas pernas lentamente e com pressão até chegar a minha cintura e assim que ele tocou-me nela agarrou-me com mais força aproximando me mais a ele. 

Pendurei-me em seu corpo, estando ele entre as minhas pernas, foi abrindo os botões do centrais do meu vestido com um sorriso de quem degustava da vista por debaixo dele. Encontrava-me apenas com uma calcinha lilás que por segundos ele parou tudo e se pôs a olhar fixamente e em seguida perguntou-me se podia tirar-lhe com a boca.

Acreditem, só de ouvir aquilo senti o meu corpo todo a ferver por dentro criando uma excitação bem maior que não pudera eu explicar. Tirou-me de cima dele e pôs me deitada no sofá numa posição na qual satisfaria o seu desejo, e lá foi ele, lá para baixo com a sua boca beijando lentamente a minha barriga, em seguida o meu umbigo, e por fim mordeu a minha bexiga soltando me arrepios pelo corpo todo que por dentro eu só suplicava que ele continuasse. Era uma vontade estranha, queria que ele fosse logo ao ponto mas ao mesmo tempo queria eu desfrutar de cada detalhe lentamente. 

Agarrou as minhas pernas, puxando a minha leve e pequena calcinha com a sua boca puxando-a com uma ânsia de querer devorar-me toda logo. Tirou-a sem mais demoras, e beijou! Beijou-me a menina, um beijo sereno, confortavel, aquela pequena e primeira garfada que se dá nas refeições, uma de prazer. E chupou-me, chupou-me toda, por longos e longos minutos até que eu não aguentasse mais e que lhe pedisse para parar porque sentia que me estava a vir sem que antes o sentisse dentro de mim. 

Ele sorriu a ouvir o meu pedido, e percebeu por imediato o que eu queria, tirou os seus calções de ganga, em seguida as boxers, e penetrou em mim! O prazer da primeira entrada é inexplicável, é como se os nossos corpos já se conhecessem faz tempo, fazendo com que eu o apertasse mais a mim. Cada movimento era uma onda de prazer, sentia-me cada vez mais molhada, gotejando naquele sofá gelado e quente por nós. E foi acelerando, querendo sentir logo o climax, mas eu não o deixava, queria mais um pouco, queria sentir aquele calor e movimentos dos nossos corpos a contorcer um pouco mais de tempo. Eu mordia os meus lábios, apertava as suas costas olhando para o céu, e o barulho dos carros lá fora só subiam a minha adrenali a até aos cabelos. Mordia os meus mamilos a cada prazer profundo que ele sentisse, e respirava no meu ouvido para que eu sentisse que era mutuo sim, tudo que sentiamos. 

E o libertei, dei-lhe espaço para que se viesse, e veio, bem logo depois de mim, que os meus gemidos não traziam nenhuma duvida de que sim. 

E quando senti o nosso relaxar dos corpos abracei lhe bem junto do meu peito e disse-lhe: Quem és tu?! E ele respondeu com um respirar sem fólego: 

– Sou quem anseia pelo teu corpo faz tempo, e espero que isto seja só o começo da nossa nova rotina das 6 da tarde. 

– J.