A Carta.

Olá, espero que contigo continue tudo bem, digo isso porquê sei que desde que nos afastamos a tua vida mudou para melhor.

Não esperava escrever para ti tão cedo, cedo digo, porquê parece que foi ontem que ainda estávamos a deitados no sofá a ver um filme e ver a noite se ir. Mas passou muito tempo, muito tempo mesmo, e neste tempo, tu seguiste em frente e eu também, dei-me oportunidades para novos amores, novos horizontes olhei, e acredites tu ou não, apaixonei-me!

Eis o motivo de te escrever esta carta, a minha nova não tão nova paixão, desgastou-se e magoei-me novamente. Contigo foi expontâneo, foi amor puro, foi muito forte e sincero, não que com este não tenha sido, mas foi diferente.

Diferente porque ele apareceu enquanto ainda estava magoada por tua causa, ainda estava quebrada, e conseguiu curar-me, fazer acreditar que poderia ser feliz novamente. E fui sabes? Muito mesmo, mas as coisas são assim, como ondas, altos e baixos, e a maré baixou. Eu aprendi a amar-lhe, a acreditar novamente no amor e foi tão lindo, mas enfim.

Quis escrever para ti, porque numa das noites perdidas minhas, sem sono, a vaguear em sentimentos e pensamentos profundos, lembrei-me que eras um bom ouvinte, bom conselheiro mesmo em situações que não te diziam respeito, e cá estou eu, a procurar palavras certas que só de ti poderia ouvir, puxões de orelha sinceros que só tu poderias dar.

Sinto falta da nossa amizade, da nossa cumplicidade como pessoas adultas, no que diz respeito ao certo ou errado, e se calhar só tu poderias me dizer como agir correctamente perante a esta mágoa.

É uma mágoa serena, não tão profunda como a que senti quando partiste-me o coração, mas como dizem por ai, cada dor é uma dor, e está também doeu e muito, e ainda dói, mas um dia passará, espero eu.

Espero ouvir de ti, saber como estás, como vai a tua vida, se tem sido mais calma ou se continuas as correrias, e o resto!

Espero que esteja tudo bem, e que talvez me respondas, sei-lá, caso não também irei entender.

Da tua velha amiga, e ex amada,

J.

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Ansiedade

Ansiedade

Desde que a tenho comigo, tem sido um caso complicado, porque não sei se tenho sido eu a concluir tudo a minha volta, ou se é ela que me vem cercando.

Ter ansiedade é como ter uma um lembrete constante dentro de ti, onde sempre que algo fora do nosso alcance acontece ele toca toca toca, a lembrar-nos dos erros do passado de acordo com o que se está a passar no presente com risco do passado ser o futuro.

Ansiedade é um muro, um muro alto que por si se construiu, por mais que eu tente subir, pular ou até mesmo derrubar, quando me dou conta, mais uns metros ele subiu.

E sobe, sobe em tudo, sobe pela minha mente, pela minha boca, sobe e cobre-me de palpitações constantes, e que por instantes duvido da minha lucidez. Me pergunto, será que realmente sou eu? Ou será que o meu cérebro enlouqueceu de vez?

É que fico louca mesmo, louca imaginando mil e uma possibilidades de algo que se calhar não aconteceu, e mesmo se não tiver acontecido, e se eu estiver errada? E se estiver certa? O que fazer quando estiver certa e errada? Será que vou sair de novo magoada?

Magoada porque não sei, e é o não sei que machuca, que perturba que fura a nossa alma e a mente, mente pra nós sobre o que outro sente, ou não sente? Não sei.

Ansiedade me deixa aflita, por não ter saida com uma porta em minha frente, por uma simples razão, medo de descobrir o que tem por trás dela, e medo de saber o que não tem, é um vai e vem profundo, que no final de tudo só por um segundo, um segundo só, tudo passa, a alma acalma, o corpo relaxa e adormece, e o dia termina, a espera que o dia seguinte a rotina por algum momento e razão ela vem, e se repete.

– J

Erro

– O que pode dar errado? Foi a primeira coisa que perguntei a mim mesma depois das milhares de vezes que me vi na mesma situação do passado!

Meu coração acelerava a mil por hora, as minhas mãos tremiam de tão nervosa que estava e nada conseguia me acalmar. Pensar que não daria errado fez com que desse errado e mesmo com a experiência nisto tudo não conseguia lidar com o presente, porque ninguém nos prepara com a dor, com a inquietação de não saber em que direção ir.

Tentei focar-me no meu respirar para poder me acalmar, tentei focar-me em como me estagnar sem danos, sem pesos, sem novos traumas, porque de novos não tinham nada, sabia o que tudo isto era, era uma porta aberta na qual não deveria nunca abrir. Era uma ferida por cima de outra que não se tinha cicatrizado totalmente. Era um jogo entre o que a mente sabe e o que a mente tinha no momento, era uma questão de equilíbrio mental.

O erro foi em pensar no que poderia dar errado com centenas de chances de dar errado de novo. Era uma esperança boba em querer que as coisas fossem diferentes mas não foram. E o que pode dar mais errado agora? Se tudo já deu errado? Nada!

Menininha – Sexual Assault Awareness!

Tudo começou quando por lei natural o meu corpo começou mudar, tornei-me mais alta, perdi um bocado de peso, o meu peito aumentou e as minhas ancas também.

De princípio me sentia confiante, de que finalmente me estava a tornar uma mulher, os comentários das minhas tias, da minha mãe, punham-me positiva, “estás a tornar-te uma de nós, já não és uma menininha” diziam elas com sorrisos nos rostos pelo meu crescimento, até que os olhares pela rua e as palavras começaram a magoar-me.

No início não dei muita importância, deixava passar e ignorava, era o senhor da padaria com um ” Ai menina com esse corpo atrapalhas a todos, nem parece que te vi crescer” e um “Hey gostosa” ao descer pela minha rua que ouvia dos rapazes que ficavam encostados a uma esquina a fumar maços de tabaco.

E depois foi piorando, o senhor da padaria pegava pela minha mão ao receber o troco do pão com um olhar intenso que me deixava assustada, eu afastava-me dali o mais rápido que pudesse com a cabeça inclinada ao chão, da outra vez foi pior, quando fui empurrada a um beco entre edifícios logo a seguir à minha casa com um estranho a tentar apalpar-me o corpo, passou a mão pelo meu peito e deixou-me aterrorizada, o meu sangue fervia, sentia o meu ar a acabar como se alguém estivesse à asfixiar-me e o pior nisso tudo é que apesar de estar a crescer como diziam eles todos, ainda sentia-me fraca.

Pequenas frases, pequenos toques infernizaram-me a vida, sentia-me invadida em um corpo que nem eu ainda não acabara de conhecer, era tudo novo para eles e novo para mim.

Tentei afastar-me da atenção tapando o meu corpo com mais pedaços de roupa, camisetas largas, calças de ganga, cachecóis e já era tarde demais, a atenção já tinha sido chamada por mim mesmo sem querer para os que não tiravam os olhos de mim. Sabia que crescer era algo bom mas não sabia que neste percurso perderia a minha autonomia, pensei eu, e decidi falar com uma rapariga da minha escola cujo demostrava muita auto-estima e confiança e parecia que os rapazes e homens lhe tratavam com mais carinho. Contei tudo que estivera a acontecer, e tudo que recebi dela foi “Estás a exagerar, não te querem fazer mal nenhum, aproveita, e desfruta, nenhum mal te vai acontecer”.

Fiquei indignada pois não queria nada disso, não me sentia preparada, não me conhecia ainda, não sabia nada do que estivesse ela a falar. Certo de que não sou ingénua e sabia as intenções de todos eles mas nada disso fazia-me sentir confortável.

Tentei seguir a minha vida normalmente, evitando as mesmas rotas, fugindo de cada um que transbordava o seu desejo em mim, mas não tinha por onde fugir, estavam em todo lado. No autocarro a caminho dos treinos de tennis, um homem aproximou-se até mim, encostou-se as minhas costas e disse-me pelo ouvido “ainda pego-te de jeito miúda”. Senti um nojo a subir-me pela garganta, fiquei tão assustada, que pedi que o motorista parasse o carro e preferi seguir à pé. Ia tão rápido mas tão rápido, e tudo que fazia era limpar as minhas lagrimas pela camisola que usava, a olhar para um corpo que não estava preparada para ter, não assim. E foi ai que senti, senti um apertar no meu braço à puxar-me para um beco com tanta força que nem tive tempo de reconhecer quem era, estava tão assustada e as lágrimas escorriam-me pelo rosto todo e tudo que queria era o colo da minha mãe e voltar a ser a menininha que era.

O homem encostou-me a uma parede no beco escuro, tapou-me a boca, e pediu-me para que me calasse se não batia-me, e eu gritei, gritei tanto que por consequência levei uma bofetada que levou-me ao chão. Ao tentar arrastar-me para longe dele, puxou-me pelas pernas arrastando a minha cabeça naquele chão sujo e cheio de pedras, abriu as suas calças, baixou-as e voltou a avisar-me que não voltasse a gritar, senti o meu ar a sair por completo de novo e suspirei como se fosse a última vez, abaixou-se até a mim prendeu os meus braços, mutilou a minha alma a cada atitude que tomava sem permissão pelo meu corpo. Lembro de não ter gritado, de não ter feito força, pois força não tinha mais, simplesmente olhava para o céu que estava limpo naquele final do dia, concentrei-me nele até que ele terminasse e foi-se embora.

Mantive-me no chão cheia de sangue e arranhões pelas pernas, imaginava que a minha cara estivesse inchada de tanto que chorei mesmo sem voz e levantei-me. Não sei se andei ou se arrastei-me até a casa aquele dia, lembro de ter chegado a casa, abrir a porta, de olhar para o rosto da minha mãe e ter-me posto de joelhos perante ela, e ter pedido desculpas e que queria voltar, queria voltar a ser pequena, queria voltar a sorrir e brincar com água e com a bola pelo quintal, porque invadiram-me sem permissão, invadiram um pedaço de mim novo que nem se quer conhecia ainda e morreu ali naquele beco. Invadiram-me e deixaram-me coberta de sangue e trauma por me estar a tornar uma mulher, e que eles estavam por todo lado, já nem era uma questão de ser ou não, era uma questão de respeito à quem tivesse, sorte, e eu não tive. Fui violada pela mudança física que estava a ter e que não tive escolha de nada.

Chamo-me Sofia, tenho 14 anos e fui estuprada não só o corpo como também à mente.

Lonely

I am a lonely person!I am those type of girls who actually has good boys and bad boys wanting me and still sees like no one wants me, because in a matter of fact no one actually wants the real me! 

They want what they see superficially, what I show to the world, what I keep showing them to see. 

I am a lonely girl because even if I’m dating some guy really good with the potential to make me happy and change my life for good I’ll keep asking him if he’s sure that he is not making a wrong decision on being with me! I am lonely because in a matter of fact deep down I know that nobody will want to deal with a bag of problems and mental illnesses that I carry with in! I assume my problems and I see them as my reality because I can’t even deal with me myself but I don’t have a choice, I simply can’t take me out of me, so I just stick with it! I am so lonely that I can’t even comfort myself when I’m sad! I get sad on how my life is miserable that I simply give up and say fuck it girl, you are too much and then I shut down myself. 

I got family, friends and fake friends like everyone else to make me company when I can’t anymore, and still in the middle of this huge crowd of good people there’s a cloud and a voice that comes to me and say it with so much petty: “damn, you are so lonely.”

But I don’t want to be this way you know? It’s not even a choice, I’d love to be one of those girls that can call to anyone important when I’m having anxiety crisis just to say: “I need you!” But I can’t. I can’t because I’m also very sarcastic and real with my feet down to realize that nobody got time for that, everybody is busy doing their lives being perfect or weird, being fake and whatever other things they do! I’m too real to also assume that on the century that we are living there’s a lot of not carrying about other people but still there are people that can at least pretend that they do care, but they don’t. And the superficiality in the world that we live makes me sick, probably the reason I am lonely all the time, I don’t know! 

But I’m a lonely type of person that cares, that values what doesn’t exist anymore and keeps pretending that maybe one day I’ll find out that there are people out there like me and maybe we could share, talk about our miserable lives and be lonely together, and then happy! 

A carta 

Senhor porteiro
Quero lhe informar que destes anos todos que partilhamos momentos de confidencialidade, no qual sabias tu quem subia ou deixava de subir até ao meu apartamento, te sou grata, mas tenho um pedido a fazer, que nunca me deixes permitir que suba mais alguém a minha casa!

Para quem estiver a ler isto contigo pode até soar meio absurdo ou me aplique um adjectivo feio porque à ideia se calhar que venha em mente é que foram muitos, mas eu e tu soubemos que não.

Escrevo-te isto porque és mais velho que eu, deves ter mais experiência de vida e a tua cara me é familiar, me lembra a do meu pai!

Foram três desde que me mudei para aqui se é que ainda te recordas, e dos três partiram-me o coração, cada um do seu jeito mas partiram. O último no qual permiti que deixasses subir foi fatal, não sei se te lembras, mas sumi bastante, mal saía de casa, até passei o último natal e o final de ano trancada de trauma. Confesso isto para ti porque mais ninguém soube bastante da minha vida do que tu, por isso vim pedir-te isto! 

Não permitas mais ninguém até a minha porta, pois quem entra em minha casa entrou em minha vida. Sou discreta, mulher menina de poucas companhias, além de ti tenho o meu gato, que por sorte dele não fala mas por vezes tem que me ouvir, ouvir chorar, gritar até mesmo desabafar.

Falava do último, ele parecia gente boa, até mesmo o senhor elogiou, disse que desta vez ficaria, que era para me assegurar que esse não me iria abandonar. Mas abandonou, e não quero lamentar me bastante, só queria lhe por assente do que se está a passar e porque que lhe peço isto.

Como gratidão por tudo que fez por mim mesmo sem querer, vendi alguns quadros meus que me renderam bastante e junto a carta acredito que vê o valor, é para a sua filha e a sua mulher, para que lhes dê um natal melhor este ano e que não te falte nada. Sou simples, sem nenhuma intenção por detrás disto, quis simplesmente desabafar e pedir lhe isso. 

Obrigada pelos dias em que me apanhou encharcada na chuva sem onde ir mesmo tendo um tecto, obrigada por ter se lembrado de sorrir para mim, quando mais ninguém sorria por perto.

Por vezes as pessoas nas quais damos menos importância são as que mais nos salvam de certos momentos e desses pequenos gestos sou grata, não tenho mais nada a dizer-lhe, espero que faça bom uso da minha gratidão e quando estiver a acabar de ler isto, estarei eu a caminho de um lugar distante, e quando voltar poderemos conversar melhor. 

O último cigarro 

Acendi um enquanto esperava o táxi chegar, as ruas estavam geladas aquela madrugada, só sobrava eu, a lua, e os cães sem dono a zanzar.

Depois de três copos de whiskey que havia tomado, não queria mais nada além do teu conforto. Imaginava eu se estavas ainda em casa ou se saíste irritado como eu depois da discussão que tivemos mais cedo. Eu sou a quente da relação, não consigo controlar ainda o mau temperamento que me assola sempre.

Mas tu és a minha gasolina, és o motivo da minha adrenalina, o motivo da minha raiva e o qual sempre me faz voltar aos teus braços.

Queria me desculpar de uma forma diferente aquela noite, queria poder te fazer sentir que a ti pertenço, quero usar mais que palavras para mostrar que o tempo que levamos até aqui não foi em vão.

E lá estavas tu, deitado na nossa cama adormecido com o celular no teu colo, descamisado e descoberto. Tirei o meu casaco, os sapatos e fui tomar um banho quente e rápido. Acordaste com o barulho da água e vieste ter. Estava eu debaixo do chuveiro com apenas luzes de velas que é do meu costume e com a cortina aberta.

Tiraste a roupa que sobrava em ti, e entraste junto a mim na banheira.

Pegaste no meu rosto molhado, deste-me um beijo profundo e abraçaste-me! Senti nele que a vontade do perdão era mútua, e voltei a beijar-te, beijei-te tanto que os nossos corpos entraram em combustão, era um dom que sempre tivemos, por mais chateados que estivéssemos os nossos toques sempre entendiam-se.

Passaste a mão entre as minhas pernas para confirmares o que já sabias tu, estava faminta de ti e com uma dose de álcool no corpo para melhorar, e desceste! Ajoelhaste-te a mim, afastaste as minhas pernas e com a tua boca penetraste-me por completo.

A água escorria pelos nossos corpos e eles em combustão faziam-me perder o controle. Te asseguraste com os movimentos circulares na minha delicada menina, e em sintonia ia eu e a minha respiração. Gemi, gemi muito, até não me aguentar mais, perdeste-te em minutos longos lá e quando sentiste pelo meu calor que já me estava a vir, te puseste de pé, e lentamente introduziste o que é meu por direito! Senti pelas paredes do profundo o seu penetrar e afastei me para parede do fundo da banheira, já queria mais e tu mais que ninguém já sabias o que fazer.

Viraste-me de costas, inclinaste-me obliquamente e voltaste a pó-lo todo e bem rápido. Perdemos uma meia hora em movimentos de entra e sai apesar de não me aguentar mais e das vezes incontáveis que atingi o orgasmo e me mantive de pé por ti, e senti! Senti quando entraste mais fundo, quando o teu peito encostou-se nas minhas costas, e com o realce apertaste os meus seios e disseste no meu ouvido: “És minha ouviste?”

Nesse momento me dei conta que não dissera uma palavra sequer desde que tinha voltado para ti, e tu soubeste entre a nossa linguagem corporal que a mais ninguém pertencia além de ti.

E saímos, te deitaste novamente na nossa cama enquanto eu fui totalmente nua a nossa varanda acender o meu último cigarro a contemplar da doce e perigosa vida que escolhera ao teu lado!